Ao fazer um levantamento das espécies de anfíbios e répteis presentes na restinga do Núcleo Experimental de Iguaba Grande, na Baixada Litorânea, uma aluna de veterinária da UFF, Angele Martins, descobriu uma nova espécie de serpente, a Tantilla sp.
O Brasil tem 708 espécies de répteis e 849 de anfíbios, o que coloca o país como o mais rico em número de espécies de anfíbios do mundo e o terceiro mais rico em número de espécies de répteis.
Embora esses números sejam impressionantes, o conhecimento atual ainda está distante da diversidade real do grupo, pois ainda existem áreas imensas não inventariadas. Para a quase totalidade das restingas brasileiras sequer há informações sobre a simples composição da fauna de répteis.
As restingas são ambientes característicos da Mata Atlântica e Angele Martins estudou, sob a orientação do professor Sávio Bruno, o ambiente de restinga do Núcleo Experimental de Iguaba Grande, pertencente à Universidade (NEIG/UFF), e catalogou a existência de 19 espécies de anfíbios e 15 de répteis.
A grande surpresa foi encontrar uma serpente ainda não catalogada e não registrada no Museu Nacional, onde todas as espécies têm que estar depositadas, obrigatoriamente.
Por enquanto, o nome dela é Tantilla sp, pois, no mundo científico, animais e plantas são designados por dois nomes em latim, o primeiro se referindo ao gênero e o segundo à espécie. Portanto, isto significa que ela é do gênero Tantilla e, como ainda não tem nome, coloca-se sp, de espécie. O problema, diz a aluna, é que essa nova espécie teve seu registro no campus, ou seja, em uma área preservada, sendo assim, ela mal foi descoberta e já se enquadra na categoria “ameaçada”, uma vez que seu habitat natural, de restinga, vem desaparecendo.
A captura e coleta de animais em campo, que obteve permissão do IBAMA para ser realizada, durou um ano, de julho de 2008 a agosto de 2009, utilizando armadilhas em linha, compostas por oito baldes de 60 litros, enterrados ao nível do solo e ligados entre si por uma lona de plástico com 60cm de altura, distando cinco metros um do outro.
As armadilhas ficaram abertas durante todos os dias nesse período, com inspeções diárias ou de, no máximo, dois dias, além das buscas ativas nas estradas do campus e nas trilhas já existentes. No total, foram capturados 623 exemplares de 34 espécies, sendo 19 anfíbios e 15 répteis.
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